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SEMANA SHALOM ISRAEL NA COLOMBIA

Universidade Politecnica Grancolombiana
21 a 24 de Março de 2006.

  SEMANA SHALOM ISRAEL
SEMANA SHALOM ISRAEL

A AMISRAEL desenvolveu na Colômbia um trabalho educativo que começou na Instituição Universitária Politécnica Grancolombiana de Bogotá, com a “SEMANA SHALOM ISRAEL”.

Entre os dias 21 e 24 de Março, o Auditório Jaime Michelsen hospedou mais de 800 assistentes. Docentes e alunos das faculdades de Marketing e Publicidade, Administração de Empresas, Rádio e TV, Comunicação Social, Engenharia Industrial, Negócios Internacionais, Engenharia de Sistemas, Linhas Aéreas Internacionais, e alguns alunos da Universidade Javeriana, em forma rotativa, foram às diferentes conferências ditadas no local, para se aprofundar em temas que mostram a cultura e a história de Israel, passando por suas tradições, desafios de sobrevivência, conflito atual, mostra de dança hebraica e fórum cinematográfico.

  Dr. Ivan Sarmiento (Delegado da AMISRAEL na Colombia)
Dr. Ivan Sarmiento (Delegado da AMISRAEL na Colombia)

Trabalhar como Mensageiro da Paz por todo mundo, promovendo o amor e a aproximação entre os povos, para assim evitar a intolerância, a perseguição ou a violência contra pessoas ou comunidades por razões étnicas ou religiosas. Esse é um dos principais objetivos expostos pelo delegado da AMISRAEL na Colômbia, Dr. Ivan Sarmento Muñoz. Ele fez a abertura da SEMANA SHALOM ISRAEL, e também fez a seguinte declaração: Esta ONG iniciou programas educativos, como o que estamos desenvolvendo agora, para dar a conhecer Israel mais amplamente no meio universitário; e, desta maneira, fomentar o amor e a compreensão para o povo hebreu em altares de buscar a paz em Israel e demais nações, incluindo, claro, a nossa bela Colômbia.

O Reitor da Universidade, de igual forma, deu as boas vindas aos diretores da missão diplomática israelense na Colômbia, presentes no evento, e também aos convidados especiais, docentes nas diferentes áreas e estudantes. Ele ressaltou que uma das maiores fontes de cultura da história universal é o povo judeu. Estou virtualmente seguro de que todos nós temos uma ou várias correntes de sangue judeu em nossa árvore genealógica, afirmou antes de explanar de forma breve a origem dos seus sobrenomes.

  Dr. Yair Recanati (Embaixador de Israel na Colombia)
Dr. Yair Recanati (Embaixador de Israel na Colombia)

O Exmo Embaixador de Israel na Colômbia, Dr. Yair Recanati, começou o ciclo de exposições com o tema: “O conflito árabe-israelense: É possível um acordo de paz?”. Ele fez uma resenha histórica da independência do Estado de Israel (1948) até nossos dias. Mostrou que em 56 anos de Independência Israel teve que enfrentar o mundo árabe sete vezes para se defender e poder continuar sua vida independente nacional. Depois de fazer referência aos diferentes processos de paz, o Embaixador afirmou: É necessário construir o diálogo. Definitivamente, Israel está a favor do diálogo; demonstrou-o uma e outra vez. E ainda queremos, hoje em dia, ou em qualquer momento da história que seja, continuar o diálogo; e, assim como o fizemos com o Egito, com a Jordânia, continuá-lo com os palestinos. E também acrescentou: Nós queríamos que de uma vez por todas cessassem o terror e a violência por parte da Palestina, e pudéssemos sentar-se à mesa de negociações para o estabelecimento do Estado Palestino independente.

  Dr. William Soto Santiago (Diretor Internacional da AMISRAEL)
Dr. William Soto Santiago (Diretor Internacional da AMISRAEL)

O Diretor Internacional da AMISRAEL, Dr. William Soto Santiago, esteve presente através da projeção em vídeo de duas de suas conferências: Israel e a sua importância para as Nações, proferida na Universidade Juárez Autônoma de Tabasco (Villahermosa, Tabasco, México), em 12 de Dezembro de 2005; e As Etapas da Restauração de Israel, proferida na Universidade Autônoma de San Luis Potosí, México, em 14 de Fevereiro de 2006.

O Grande Rabino Alfredo Goldschmidt foi um dos primeiros expositores, com o tema: “Instrumentos e Missão do Povo Judeu”. Estamos neste momento, no século XXI, vivendo uma das melhores épocas como povo, expressou o Rabino antes de mostrar que, através de toda a história, o povo judeu foi espalhado pelas perseguições, pelas conquistas, e dispersado; entrando em uma diáspora de dois mil anos, onde as Cruzadas, a Inquisição e a II Guerra Mundial foram principais etapas marcadas; convertendo-se, assim, em um povo de constante migração, mas com capacidade de adaptação. Muitíssimas vezes tivemos que sofrer migrações; cada vez que havia uma perseguição, na Rússia na Polônia, e sem comentários da perseguição nazista, tivemos que emigrar. Agora, ao ter uma lei escrita e uma lei oral, a lei oral tinha ensinado à criança judia, desde muito cedo, a entender como fazer uma interpretação dentro de uma lei escrita, para poder aplicá-la à sua realidade; e essa capacidade de entender a realidade é algo que nos veio muito bem em nossas migrações, manifestou o Rabino.

  Grande Rabino Alfredo Goldschmidt
Grande Rabino Alfredo Goldschmidt

Da mesma forma, ele mostra a missão de cada judeu fundamentada no segundo livro do Velho Testamento (Êxodo): Que tenhamos um mundo melhor, com melhor qualidade de vida, para que, quanto mais pessoas possíveis, dentro de um espírito de dignidade... diz o Rabino, e adiciona: tentamos, por meio do nosso trabalho em melhorar o mundo, nas ciências, nas artes, nas humanas, possamos transmitir uma fé em Deus.

O povo judeu nunca foi proselitista, não converte nem busca “adeptos” à idéia judia, porque cremos que cada religião tem sua maneira de chegar “à salvação”, de melhorar o mundo dentro de um espírito divino. Fazendo essa elucidação, como líder espiritual da comunidade judia, o Rabino Alfredo Goldschmidt ficou à disposição dos assistentes para aprofundar nos temas expostos por meio de um diálogo mais pessoal.

Em sua segunda intervenção, no dia 23, Goldschmidt identificou a época em que o templo foi destruído pelos romanos, no ano 70 da Era Comum, conectando-o com o judaísmo do século XIX até os nossos dias. E, posteriormente, desenvolveu as causas da criação do Movimento Sionista (com Theodor Herzl), a judeufobia (anti-semitismo) e o Holocausto.

A Morá (professora) Beatriz Lerner de Mikler, que, além de ser professora em matérias hebraicas do Colégio Colombo Hebreu, também é tradutora oficial do hebreu-espanhol — espanhol-hebreu, começou expressando sua satisfação em encontrar, na chegada ao Auditório da Universidade, um pôster que diz: SHALOM. Para nós, para o povo judeu, para a comunidade de Bogotá, é um avanço impressionante esse interesse de saber do nosso povo, disse antes de proceder com seu tema: O Calendário Hebreu versus Calendário Gregoriano”. Ali, expôs a maneira como se complementam, estando um regido em forma lunar e o outro em forma solar. Sua conferência se apoiou em uma explicação afiada das festas e datas que a tradição judaica celebra, esclarecendo desde o começo: a base se encontra na Torá: são os cinco livros de Moshé, o que chamamos o Pentateuco; neles,  está escrito todos os nossos movimentos, inclusive nossas festas.”

A AMISRAEL dedicou o segundo dia para mostrar aos assistentes tudo relacionado à Shoá (Holocausto), como parte de seus objetivos, tal como a ONU também o solicitou ao declarar 27 de janeiro como Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto (data na qual se efetuou a liberação do campo de extermínio de Auschwitz na atual Polônia), que em cuja resolução pede a todos os Estados que elaborem programas educativos para gravar na memória das gerações futuras o ensinamento do Holocausto a fim de prevenir atos de genocídio. [www.aurora-israel.co.il - Março, 2006].

A diretora do grupo “Shahor” (Lembranças), Dra. Stella Coifman, como filha de sobreviventes da Shoá, foi a primeira em dar o seu testemunho de vida e o de seus pais, falando das seqüelas causadas, considerando-o como “uma missão” em sua vida, e convidou a audiência a refletir em diferentes pontos, posto que a gente pode aprender das guerras, disse. Penso que seja necessário questionar as normas, nem tudo que é legal é legítimo, foi sua primeira reflexão. E esclareceu: É necessário colocar a obediência cega na pauta de discussões. A pessoa tem que ter a claridade mental e os valores postos de tal maneira que alguém tenha que ser capaz de dizer: “não estou de acordo, e não tenho por que obedecer a uma ordem que me manda matar pessoas porque sim, ou ferir o meu vizinho porque sim”. Não permitamos que as regras tirem a responsabilidade dos nossos atos. Nós temos que ser responsáveis por nossos próprios atos.

  Dra. Coifman (Psicóloga graduada na Universidade de Sabana)
Dra. Coifman (Psicóloga graduada na Universidade de Sabana)

A Dra. Coifman, que também é psicóloga graduada pela Universidade La Savana, convidou, de igual forma, a refletir: A discriminação é perigosa. Quando começamos a pensar que o outro é diferente, e por ser diferente é inferior a nós, estamos caindo em um regime totalitário. Se aprendermos a respeitar o outro com suas diferenças, faremos um mundo melhor. Mas, sobre tudo, ressaltou: As pessoas sabiam e ninguém fez nada. E eu me pergunto: O que nós fazemos hoje em dia, sabendo o que acontece no Iraque, sabendo o que acontece com nossos próprios despatriados, o que fazemos a não ser sermos indiferente? Eu espero que este bate-papo lhes deixe essa inquietação: “Não podemos ser indiferentes”. Há ocasiões na vida em que é necessário tomar partido, é necessário dizer as coisas fazê-las. E nós, na Colômbia, estamos vivendo uma situação muito complicada para continuar sendo indiferentes.

  Sr. Sigush Halstuds
Sr. Sigush Halstuds

O Sr. Sigush Halstuds, sobrevivente da Shoá, também compartilhou seu testemunho de vida. E, posteriormente, foram projetados dois documentários:“Desafio ao Esquecimento: A História do Holocausto através da voz de oito sobreviventes”, produzido pela ONG “Memórias e Tolerância” do México; e um documentário informativo que mostra uma resenha da participação da AMISRAEL na sessão solene realizada no “Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto” (estabelecido pela ONU), em 27 de Janeiro de 2006, no Senado Federal do Brasil.

No terceiro dia do evento, a Sra. Bella Clara Ventura, Embaixadora da Colômbia pela paz do mundo, com sede em Genebra, se apresentou. Com sua experiência, em sua trajetória literária e profissional, transmitiu diferentes anedotas e ensinos em torno do tema: “A irmandade em violência nos faz irmãos de sangue”. Fazendo um paralelismo da violência que se vive em cada país, ela assinalou que as mais fortes do mundo, por ser contínua, são as que se vivem em Israel e na Colômbia: Com muita tristeza vejo esses dois países, com uma violência contínua há tantos anos. Israel desde o 48, Colômbia também muito antes... É por isso que ela encontra em sua expressão poética e literária uma maneira de chegar a seus leitores para gerar consciência em relação à violência que corresponde a nós. Creio que há um respeito muito grande pela identidade de cada ser humano, e creio que é um convite à tolerância, foi alguma das reflexões que fez.

  LEHAKAT AMISRAEL COLOMBIA
LEHAKAT AMISRAEL COLOMBIA

A programação também incluiu uma amostra cultural diária, na qual o Grupo Musical da AMISRAEL se fez presente, e foi o encarregado de entoar o Hino Nacional de Israel, com uma intérprete vocal, e outros temas israelenses. O fechamento foi realizado pelo Grupo de Dança Hebraica: LEHAKAT AMISRAEL COLÔMBIA, com a apresentação de quatro danças alegres e elegantes, para finalizar o terceiro dia. E, por último, no dia 24 de março, O Violinista no Telhado foi o filme utilizado para o fórum cinematográfico, que foi exposto por Augusto Bernal, Diretor da Escola de Cinema de Bogotá “Black Maria”.

  Dr. Pablo Michelsen Niño (Reitor da Universidade)
Dr. Pablo Michelsen Niño (Reitor da Universidade)

As palavras de fechamento, por parte do Senhor Reitor da Universidade, Dr. Paulo Michelsen Criança, foram de agradecimento. Com satisfação, ele se expressou: Sempre terão as portas da Instituição abertas para nos apresentar sua cultura. Esta é uma casa de estudos aberta a todas as manifestações bondosas da cultura, e eles já constituem uma grande amostra desse sentido de solidariedade, igualdade e generosidade, que também anima esta Instituição. Muito obrigado e sejam sempre bem-vindos.

A Dra. Juanita Michelsen, Decana da Faculdade de Marketing e Publicidade da Politécnica, a principal gestora para que o trabalho da AMISRAEL se realizasse, participou do fechamento do evento enfatizando que sempre, na universidade, devemos lutar para ter o espírito aberto ao conhecimento para as demais pessoas; e pensar que, muitas vezes, a violência não são as guerras, porém não estar atento ao que está perto de si.

Finalmente, o Grande Rabino Alfredo Goldschmidt fez referência a outros momentos compartilhados nos âmbitos universitários na Colômbia, mas este toque da Semana na Politécnica deixa as experiências anteriores por fora da esfera. Ele ressaltou a circulação e participação dos estudantes; e, por outro lado, reconheceu a AMISRAEL como uma organização que nestes últimos meses surgiu em forma meteórica, tendo um impacto em diversas esferas da vida nacional.

As conferências foram proferidas em horário acadêmico; e a Instituição Universitária quis que fizessem parte do curriculum dos grupos que circularam o recinto, para exames ou parciais. Os estudantes da Faculdade de Rádio e TV também tiveram a oportunidade de realizar entrevistas aos expositores, na prática, que, posteriormente, seriam usadas para o noticiário e para o magazine da Politécnica. O material gravado da SEMANA SHALOM ISRAEL foi fornecido para a Biblioteca da Universidade, por solicitação dos diretores, como material de consulta que ficará à disposição dos alunos desta e de outras universidades.

Uma semana antes do evento, a AMISRAEL realizou uma série de pesquisas no campus universitário, as quais permitiram fazer uma sondagem da informação que eles tem com relação a Israel. Como resultado, foi verificado que há um notável desconhecimento do assunto.
Depois das atividades programadas, as pesquisas foram realizadas novamente. E, com grande satisfação, pôde ser observado o contraste dos resultados obtidos em relação às primeiras respostas, anteriores ao evento, manifestando que o conhecimento gera maior amor e compreensão à realidade do povo hebreu; cumprindo-se, assim, um dos principais objetivos da AMISRAEL.


Download do Vídeo
Samana Israel en Colombia - 44mb - 0:17min.


Materia: Ivan Sarmiento
Edição: Ygor Lima e Samuel Tilleria
Fotos: Eliseo Piraquive
Tradução: Lídia Cunha